Eu
escrevo.
Escrevo
para todos, e para ninguém. Escrevo para meus fantasmas, e também para mim
mesma. Escrevo para vivos e mortos. Escrevo na tentativa de aliviar a dor que
carrego, minha eterna maldição. Escrevo na esperança de ser lida em um tempo em
que me revelar não represente uma ameaça... ou seja, um tempo que nunca virá.
Como disse antes, escrevo para ninguém.
Minha
história começa há alguns séculos, mais precisamente, em 1670. Eu era uma jovem
de dezoito anos, inexperiente, inocente e ansiosa por descobrir o mundo! Sim,
tola, como todos os jovens são.
— Me
chamo Charlote, Charlote Berthory. — Disse eu, cumprimentando aquela elegante mulher,
receosa de cometer alguma gafe quanto a etiqueta dos ingleses. — E é um prazer
conhecê-la, senhora Williams.
Após
um tempo que pareceu uma eternidade, e um olhar que parecia me escrutinar até a
alma, ela sorriu e respondeu:
— Encantada,
Charlote. Mas por favor, me chame apenas de Marjorie, pois espero que possamos
aproveitar um pouco a companhia uma da outra.
Marjorie...a mulher que mudaria minha
vida para sempre.
