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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Vampira Charlote - Parte II


A vida está no sangue, diziam os cristãos.

Nesse caso, o demônio se apossou de parte da minha. De uma grande parte, diga-se de passagem. Passei os dias e noites seguintes oscilando entre a consciência e o sono, esse último, vencendo-me na maior parte do tempo. Podia ouvir meu coração batendo de forma acelerada, como em um canto desesperado de morte. Sentia-me gélida, cansada e fraca.

Como som de fundo, ouvia o girar das rodas de uma carruagem, assim como o som dos cascos dos cavalos. Muitas vezes, reconhecia a voz de Marjorie, falando coisas que eu não conseguia compreender totalmente, ou ninando-me como a uma criança. Sentia seu cheiro, seu calor, ou simplesmente suas mãos administrando algum líquido de odor estranho por minha boca.

— Beba tudo, minha querida. — Ela dizia, enquanto me fazia beber uma de suas poções. — Precisamos que esteja forte, até chegarmos ao nosso destino.

Eu não tinha condições de discutir, minha raiva se traduzia em tentar empurrá-la com meus braços sem força, ou mover a cabeça, recusando seus remédios. Como era de se esperar, tudo em vão. Depois de algum tempo, percebi que estava em uma cama, e que ela balançava ritmadamente. Após a terceira vez que vomitei, me dei conta de que se tratava de um navio. Pelas conversas que ouvia entre a criada que cuidava de mim e outros tripulantes, estávamos deixando a Grã-Bretanha. E eu sabia, infelizmente, que não era rumo a minha querida Irlanda.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Capítulo 1 - Promessa de Sangue


Inglaterra, 1715.

Em uma noite fria e chuvosa, ele caminha por uma centena de cadáveres. Seus longos cabelos negros encharcados, suas roupas ensanguentadas, sua espada, pronta para ser usada ainda outra vez. Exausto, ele chega aos portões do próprio castelo, antes uma fortaleza segura, agora, um lugar tomado por fanáticos.

— Aberração! Demônio! — O grito vem acompanhado de um golpe de machado na altura do peito. O homem que o ataca é maior e mais robusto, barba e cabelos ruivos, seu golpe com força o suficiente para partir seu tronco em dois.

A lâmina faz um corte profundo no peito do jovem que, desviando da morte certa, encrava a espada na garganta do seu agressor. Depois, chuta o corpo sem vida para fora do portão de entrada.

— Saia...da minha…casa. — Ele fala com dificuldade, caminhando por um castelo banhado em chamas e sangue. Seu castelo.

Após o que parece uma eternidade, ele a encontra: seu motivo para matar, seu motivo para existir.