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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Capítulo 21 - Sem Medir Consequências



O Golem está dentro.

Do alto da parte superior da velha igreja, em uma área interligada por colunas e sacadas ornamentadas, o mascarado encontra seu alvo: Mandy Duncan. A adolescente está nua, grossos braceletes de prata prendendo seus pulsos, tornozelos e pescoço, de cabeça baixa e postura ereta e iluminada apenas pela luz de velas, enquanto é banhada por um homem vestindo um manto escarlate. O banho consiste em um jarro cheio de sangue sendo lenta e cerimonialmente derramado sobre a cabeça da jovem, em um ritual profano. O homem tem cabelos negros, pele muito branca e unhas proeminentes. Seu manto possui adereços dourados, bordados em ouro e formando desenhos intrincados. O Padre, com certeza. Próximos aos dois, quatro garotas portando armas, metade com lâminas, metade com fuzis, formando um círculo em volta do religioso e seu sacrifício.

O padre vampiro parece encerrar seu ritual, por um momento afastando-se da jovem estática, que agora é vestida por uma das garotas. A chance que ele esperava. O Golem salta em direção a refém, parando a meio metro do chão (seguro por um cabo com arpão), em seu movimento de descida, quebrando o pescoço da inimiga mais próxima, para em seguida ser puxado de volta pelo cabo enquanto pega a loba pela cintura. Tudo muito rápido, para espanto dos presentes. Uma vez de volta ao alto e com seu prêmio, o Golem ativa a música: sua melodia característica, vinda de gravadores posicionados em diferentes trechos do caminho trilhado. O Padre apenas observa enquanto a dupla de fuzil dispara na direção do invasor e a jovem de faca corre ao auxílio da amiga moribunda.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Capítulo 4 - Velhos Pecados


A chuva cai torrencialmente do lado de fora do castelo, trazendo um som, cheiro e atmosfera que deixam Adam nostálgico.

Marie adorava noites chuvosas, lembra.

Ele está de pé na sacada, o vento frio soprando em seu rosto e levantando os longos cabelos negros. Atrás de si, o quarto em que viveu como casado há algumas centenas de anos atrás, um antigo quadro restaurado como única lembrança desse tempo feliz. Desde que voltou do sono eterno, o lugar lhe traz um misto de tristeza e conforto, esperança e desilusão. Pois este é tanto o local em que Marie morreu, como aquele em que conheceu Claire, passado e presente se fundem nele, e o futuro, é exatamente aquilo que o vampiro teme.

Será que a Claire também gosta de noites assim? O quanto ela tem da mulher que conheci, afinal?

— Creio que o senhor já postergou o bastante esse momento. — fala o mordomo Lincoln, parado como uma estátua alguns metros atrás do vampiro. — Há três noites que não se alimenta, isso não pode continuar.

O homem se move para o lado, dando visão para a cama e as três mulheres deitadas nela. Elas aparentam ter algo entre vinte e cinco e trinta anos, usam roupas decotadas e maquiagem forte, e no momento, estão inconscientes. Prostitutas, ele deduz.

— É, acho que sim. — Adam exibe um sorriso nervoso enquanto olha para o trio, seus corpos convidam ao pecado, mas tudo o que ele quer delas é o sangue. E não poderia ser diferente, principalmente ali.

— Não queria ter que chegar a esse ponto, mas o senhor não me deixou escolha. — O homem guia lentamente o vampiro até suas vítimas, fazendo aquilo que sabe ser necessário. — O senhor deixou de caçar nas cidades vizinhas, recusa-se a beber dos moradores da cidade e somente a força aceitou meu próprio sangue, três noites atrás.

— Não esperei tantas décadas para vê-lo definhar e morrer. — Ele diz, com olhar firme e mão forte. E depois sai do quarto.

Adam se senta ao lado delas, belas mulheres que lhe venderiam de bom grado seus corpos, mas não seu sangue.

— Veja só, Claire! Seu bom salvador se aproveitará de mulheres indefesas, não sou melhor do que os homens a quem quase matei. — Presas de fora, um leve gemido de dor da primeira vítima, e o vampiro começa a perder-se no prazer sanguinolento.

— ... não, sou muito pior.