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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Capítulo 21 - Sem Medir Consequências



O Golem está dentro.

Do alto da parte superior da velha igreja, em uma área interligada por colunas e sacadas ornamentadas, o mascarado encontra seu alvo: Mandy Duncan. A adolescente está nua, grossos braceletes de prata prendendo seus pulsos, tornozelos e pescoço, de cabeça baixa e postura ereta e iluminada apenas pela luz de velas, enquanto é banhada por um homem vestindo um manto escarlate. O banho consiste em um jarro cheio de sangue sendo lenta e cerimonialmente derramado sobre a cabeça da jovem, em um ritual profano. O homem tem cabelos negros, pele muito branca e unhas proeminentes. Seu manto possui adereços dourados, bordados em ouro e formando desenhos intrincados. O Padre, com certeza. Próximos aos dois, quatro garotas portando armas, metade com lâminas, metade com fuzis, formando um círculo em volta do religioso e seu sacrifício.

O padre vampiro parece encerrar seu ritual, por um momento afastando-se da jovem estática, que agora é vestida por uma das garotas. A chance que ele esperava. O Golem salta em direção a refém, parando a meio metro do chão (seguro por um cabo com arpão), em seu movimento de descida, quebrando o pescoço da inimiga mais próxima, para em seguida ser puxado de volta pelo cabo enquanto pega a loba pela cintura. Tudo muito rápido, para espanto dos presentes. Uma vez de volta ao alto e com seu prêmio, o Golem ativa a música: sua melodia característica, vinda de gravadores posicionados em diferentes trechos do caminho trilhado. O Padre apenas observa enquanto a dupla de fuzil dispara na direção do invasor e a jovem de faca corre ao auxílio da amiga moribunda.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Capítulo 20 - Missa Noturna


Catelo Tepes.

O vampiro adentra o salão secreto onde guarda suas maiores riquezas materiais. Desde o mês em que retornou dos mortos que não volta a esse lugar, e embora uma parte delas foram leiloadas por Lincoln, para levantar o dinheiro necessário para recomeçar sua vida no tempo atual, e outras foram espalhadas pelos cômodos do castelo, para sua surpresa, continua impressionante a visão das relíquias que esse cômodo guarda. Lincoln observa com preocupação seu mestre parando diante de uma velha arca fechada, seu objetivo ao voltar aqui. Destrancando calmamente a fechadura que prende a tampa, o vampiro é iluminado pelo brilho prateado do objeto que lá reside.

O mordomo se aproxima trazendo um par de luvas brancas, que o vampiro calça, antes de finalmente retirar o objeto de lá. Uma espada. Lâmina de prata, maior e mais pesada do que um homem poderia manejar com uma só mão. Não que para um vampiro como ele isso faça diferença.

Faz trezentos anos desde que empunhei você pela última vez, pensa ele, a única coisa que herdei do meu pai, para além do seu sangue e maldição. Assim como o instrumento de sua morte.   

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Capítulo 15 - Correntes e Prisões


Em uma cela solitária e fria, a vampira aguarda.

Ela veste as mesmas roupas de quando foi detida. Provou um pouco da comida e bebida oferecidas apenas para disfarçar, depois aproveitando as idas ao banheiro para pôr tudo para fora. Há duas noites sem se alimentar de verdade, ela sabe que a situação não poderá se estender por muito mais tempo. Para piorar, foi obrigada a ficar desperta durante certos momentos do dia, o que só foi possível devido à grande determinação que possui. Mesmo assim ela foi capaz de pouco mais que manter os olhos abertos, falar brevemente e as vezes, andar de um lado ao outro.

Aaahhhh, Tepezinho, que menino travesso você se revelou! — Pensa ela, enquanto caminha de um lado para o outro, assobiando a introdução da música “Patience”, do Guns in Roses. — Perdendo as estribeiras por causa da sua namoradinha humana.

Ela leva a mão até a altura do abdômen, relembrando o momento em que Adam perfurou seu tronco com a mão nua, até chegar ao seu coração morto.

Parece que você não é tão paz e amor quanto eu imaginei. Me penetrando desse jeito violento, me deixando totalmente submissa as suas vontades. — Ela sorri sozinha — Agora estou realmente fudida.

— Você parece muito alegrinha pra quem está presa, sabia? — comenta a policial Emma, sentada em um banco do lado de fora da cela, enquanto usa o celular.

Jeanne apenas a observa, caminhando lentamente até se escorar nas grades. Estampando um sorriso malicioso no rosto.