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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Capítulo 22 - Os Laços que nos Unem



René avança.

Agora com a espada em uma mão e uma adaga na outra, utilizando todo conhecimento marcial acumulado em seus séculos de existência.

— Desista. A essa hora já devia ter percebido que não é um adversário digno. — Adam diz, após desviar de um ataque giratório e desferir um corte que pega da parte superior do tronco até o rosto do adversário.

René perde o equilíbrio e cai no chão. Sangue flui farto de seu olho e lábio esquerdos, agora cortados, encharcando sua blusa rasgada e o que restou de seu terno. Adam observa a vampira, sempre atenta aos seus movimentos, enquanto mantém Claire sob a mira de uma arma e de presas semi-encravadas. O obstinado vampiro se ergue novamente, apoiando-se na espada, com sua pele aos poucos regenerando todo dano sofrido.  

— Pardon, mas é difícil para mim parar quando estou no auge da diversão. — Ao dizer isso, o vampiro começa a emanar uma aura ainda mais intensa.

É visível para Adam que o vampiro não só usa o sangue para regenerar seu corpo, como para ampliar seus atributos físicos, o deixando mais poderoso que antes. Algo que deseja encerrar. Assumindo a forma de um enxame, o filho do Drácula parte para cima de seu adversário, com o som de centenas de pequenos demônios alados confundindo seus sentidos, para em um último momento assumir sua forma real, desferindo um golpe capaz de decapitá-lo!

E é ai que tudo acontece, e em um piscar de olhos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Capítulo 18 - Damas em Xeque


Cemitério de Santa Margareth, 19h00.

É uma noite abafada, com uma chuva fraca e inconstante caindo sobre aqueles que velam os mortos. Um enterro em uma cidade pequena é sempre um acontecimento, e a quantidade de pessoas presentes não deixa a desejar. Uma multidão de rostos apáticos em trajes negros, é essa a visão que Adam encontra ao sair de sua limousine, uma multidão de olhares curiosos e comentários maldosos, mas tudo isso não foge do esperado. Ele faz cumprimentos contidos e educados enquanto abre caminho por eles, em um terno preto como seus cabelos presos, se esforçando para demonstrar pesar pela morte do jovem Barry Freeman, ao invés de sorrir agradecido por quem quer que tenha feito isso.

Deixo de matá-lo, e mesmo assim ele morre tão pouco depois. Algumas coisas simplesmente tem que ser, Adam pensa.

— Meus sentimentos, senhor Freeman. — Ele diz, enquanto aperta a mão do homem grande e gordo, mas hoje, seriamente abatido. — Que sua família possa encontrar a ... — Sua voz é cortada quando o homem o puxa para um abraço que deixa o vampiro desconcertado.

— Obrigado por vir, Tepes. — diz Wally Freeman, olhos fundos de muito chorar — Fiquei sabendo que meu garoto e você andaram se estranhando, por isso eu fico grato de verdade por ter vindo ao funeral dele.

Observando à tudo, a verdadeira responsável pela morte do jovem cujo corpo foi devorado, e que a polícia só encontrou os ossos recentemente: Evelyn. Ela se diverte intimamente com a cena, deliciando-se em seu papel de amiga sofrida. Em um conjunto preto ousado, encara o vampiro contra o qual lutou faz pouco tempo, imaginando o que ele faria se soubesse o que ela é realmente.

— Evelyn, pelo menos disfarça. Dá pra notar seu sorriso. — Reclama Claire, beliscando o braço da amiga. Claire está em um vestido preto formal, com seus cachos loiros em coque, sem nenhuma joia e com maquiagem leve. Está magoada com o rapaz, mas ainda se lembra de como foram amigos quando crianças.

— Tô aqui rindo da sua cara, quando o Conde Drácula vier falar com você. — Ela diz, estudando a face da amiga, notando o nervosismo e ansiedade misturados nela. — Só espero que não esqueça o que ele te fez, e vá querer fazer papel de otária.

— Como se eu pudesse esquecer...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Capítulo 11 - Coisas de Família



            Nesse capítulo eu encerro a apresentação do Andy Valentine, com direito a muito sangue e lembranças do passado. Espero que gostem, cientes que Adam e companhia voltam no próximo capítulo.

          Obrigado a você que lê essa história, ficarei muito feliz se comentar deixando sua opinião sincera sobre o que está achando dela. 

Em um pátio de escola, um menino de oito anos desvia o olhar da mãe. Com o uniforme sujo de lama e sangue, o rosto machucado e os punhos fechados, o pequeno Andy se prepara para ouvir o sermão. A mulher tem apenas vinte cinco, com cabelos negros e olhos claros — como os herdados pelo filho — usa blusa social e calça jeans, com um sapato que bate nervosamente no chão.

— Não acredito que você fez isso de novo... que vai ser expulso de outra escola! — Olhos cheios de raiva, pausa para fumar. — Mas o que que tu tem nessa cabeça, moleque? Merda!?

— Eles que provocaram. — ele diz, seco. — Se alguém me provoca, eu bato mesmo! — Sorriso desafiador no rosto.

Um tapa faz o menino dar um passo para traz. Sua mãe treme de raiva enquanto se aproxima e aperta o seu rosto com força, olhos com lágrimas e voz tremida, enquanto diz:

— Quem tá provocando aqui é você! — ela grita, sua voz ecoando pelos corredores da escola. — Será que não sabe ficar sem arrumar problemas, seu merdinha!?